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quarta-feira, 18 de abril de 2012
De volta à rotina sagrada.
Depois de alguns dias em off devido a uma viagem a minha cidade natal, volto ao meu atual cotidiano. A chegada é sempre difícil. Reorganizar a rotina e por as leituras em dia.
Foram dias iluminados que passei em Aracaju, mesmo que frustrado com um péssimo desempenho no concurso em que participei, esse me deu uma excelente oportunidade nostálgica. Fui tomado por um intenso prazer em rever os amigos da graduação em voltar à boemia outrora tão vivaz em meu coração, mas adormecida nesses dias insones, conversas nostálgicas e tantas outras que foram suficientes para superar o mal-estar e a baixa-estima advinda da situação incômoda.
Para além dessa experiência nostálgica, está de novo e de novo com meus eternos amigos-irmãos sempre é de um gozo carnal-espiritual inconteste, Wesley de Castro, Nina Sampaio, Tiago Oliveira, Wesley Soares, Roberta Fideles, Rafael Alcântara, Vanessa Lacerda, Carlos augusto, Aelton Leonardo e ainda Alessandra, está com vocês é algo incomensurável, inexplicável, cada um com seu dilema, com sua singularidade egocêntrica, cada um sofrendo e sorrindo daquele jeito único que nos faz uma família heterogeneamente homogênea da pesada! Amo vocês de todo coração, alma, corpo, sangue e vida.
Ainda passei o feriado santo com minha família oficial da qual gosto muito. Repito: gosto muito! Mesmo que isso tenha sido pelo esforço do contingente fato de eu ter nascido em meio a estas pessoas das quais sou tão diferente.
E para recomeçar meu cotidiano hoje volto a publicar em meu querido diário virtual, escuto o disco de 1972 de Rita Lee - HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE TUA VIDA, ótimo álbum ainda influenciado pelo som desconstrutivo dos MUTANTES, se não me engano foi produzido pelo Arnaldo Batista. Com uma mistura de ritmos alucinantes e letras psicodélicas tão marcantes da antiga fase da cantora e já ensaiando em algumas faixas de sua nova fase. Preparo-me para ver o filme do dia enquanto meus companheiros de república tentam instalar um nono roteador para nossa internet, a tarde irei a biblioteca pesquisar e a noite vou dar uma caminhada para sair da sedentarismo e no fim da noite voltar a leitura de CAROL de Patricia Highsmith e assim a vida continua...
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Problemas não resolvidos, outros criados e contingências acontecem a toda hora.!
Querido diário
Hoje depois da insônia acordei cedo (rs). Sim acordei cedo e fui resolver algumas pendências no centro da cidade e encontrar uma amiga querida que estuda o pensador alemão Ludwing Feuerbach em um determinado programa de mestrado. Mesmo sendo criada sob uma rígida educação religiosa protestante e da qual não vai abdicar segundo ela mesma, ela consegue defender o pensador que tinha como projeto restabelecer a unidade integral do homem, que foi cindido pela redução operada pala ilusão do cristianismo e de qualquer outra religião baseada em entidades transcendentais. Divertida com todo o seu vocabulário de moça criada na roça, cria analogias impagáveis ao mesmo tempo que um recato a envolve de uma tristeza estranha.
Depois de encerrado o encontro, fui flanar pelo centro da cidade, olhei vitrines, senti o sol encarnando na pele, a multidão que descia e subia na rua principal, fui a mercado central, vi pessoas usando o crack , fique temeroso e fiquei com fome logo depois. Uma avalanche de pensamentos me tomava e eu não conseguia resolver um problema que teimava em permanecer, até que descobri que ele ia realmente permanecer.
Ao chegar em casa e preparar a janta, uma comida leve e de origem árabe, (sim só cheguei na noite) minha tia abre a porta e sorri pra mim. Eu só tentei. Tinha programado em ver filmes que concorrerão ao OSCAR no próximo domingo com meu querido irmão Wesley de Castro.
Meu amigo Rodrigo ligou de Juiz de Fora cidade mineira que é bem parecida com Aracaju e ao escrever aqui minha perna coça, tenho vontade de ir ao banheiro...
E assim a vida continua........
J.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Quando amanhece e o dia chove
Acordei as dez horas da manhã desse carnaval, com uma intensa chuva sintomática, como diria Immanuel Kant “é como se a natureza quisesse”. Tenho certeza me arrasará emocionalmente.... Mas sigamos em frente.....
Ontem recebi a bela visita de um casal inteligente, psicólogos recém formados e distintos em suas personalidades e não hesitei em por um filme do genial cineasta Brian De Palma para comemorar. Na verdade já havia prometido para meu amigo Dante Andrade, sendo De Palma um de seus cineastas favoritos, que não por acaso tem como personagens recorrente pessoas com estados mentais traumatizados, o que significa que é um prato suculento para um debate caloroso. É o que sempre acontece depois de ver um filme ao lado dos meus queridos Dante e Michele, que agradeço bela bela noite!
Alguns historiadores da filosofia costumam afirmar que esta é uma disciplina que se alimenta dela própria, o que eu não concordo por inteiro nem discordo absolutamente. Muitas questões filosóficas surgem a partir de cotextos sócio-culturais e outras tantas a partir da própria história da filosofia que continuamente vai se debatendo, recriando e revisitando a si mesma. O que me faz crer que o cinema, do mesmo modo, se alimenta continuamente de si próprio e ninguém melhor para provar a minha tese que Brian De Palma, não só por referenciar e reverenciar o cinema clássico e principalmente o mestre Hicthcock, mas também por representar a crise estética vivida pelo cinema americano depois dos movimentos modernos que ocorre tanto nos Estados Unidos como na Europa e outros lugares ao redor do globo em meados dos anos 60/70. Claro que o cinema de De Palma comporta vários níveis interpretativos, várias camadas representativas. Mas em Irmãs Diabólicas a crise vivida pelas gêmeas siamesas é construída com as recorrentes marcas registradas do diretor, radicalizando a técnica suspensiva criada pelo mestre do suspense através da tela que se divide em momentos de intensa tensão causando no espectador um sensação quase que insuportável de suspense. A hipérbole que alcança a trama se desvela e se desdobra como recriação intempestiva entre o clássico e o moderno.
A trama do filme, como não poderia ser diferente, é recheada de reviravoltas. Um caso rápido entre uma modelo e um ator negro termina no trágico assassinato do ator e é cometido pela irmã gêmea siamesa da modelo que é emocionalmente abalada depois que as duas foram separadas.... ao mesmo tempo que uma jornalista que mora em um prédio em frente testemunha o assassinato e busca investigá-lo, além do estranho ex-marido da modelo que a persegue continuamente, esse é o máximo que posso descrever dessa trama pra lá de maravilhosamente rocambolesca, tamanha são as surpresas que o roteiro do próprio Brain De Palma proporciona.
Ao fim da sessão estavamos extasiados e todas as teorias freudianas possíveis (rs) foram acionadas para uma belo debate acerca do comportamento humano, dos processos de curas psicanalíticos e ainda deu tempo para uma falar sobre o discurso filosófico do sujeito. Lindo.
Mas o dia amanheceu assim......
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