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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Problemas não resolvidos, outros criados e contingências acontecem a toda hora.!
Querido diário
Hoje depois da insônia acordei cedo (rs). Sim acordei cedo e fui resolver algumas pendências no centro da cidade e encontrar uma amiga querida que estuda o pensador alemão Ludwing Feuerbach em um determinado programa de mestrado. Mesmo sendo criada sob uma rígida educação religiosa protestante e da qual não vai abdicar segundo ela mesma, ela consegue defender o pensador que tinha como projeto restabelecer a unidade integral do homem, que foi cindido pela redução operada pala ilusão do cristianismo e de qualquer outra religião baseada em entidades transcendentais. Divertida com todo o seu vocabulário de moça criada na roça, cria analogias impagáveis ao mesmo tempo que um recato a envolve de uma tristeza estranha.
Depois de encerrado o encontro, fui flanar pelo centro da cidade, olhei vitrines, senti o sol encarnando na pele, a multidão que descia e subia na rua principal, fui a mercado central, vi pessoas usando o crack , fique temeroso e fiquei com fome logo depois. Uma avalanche de pensamentos me tomava e eu não conseguia resolver um problema que teimava em permanecer, até que descobri que ele ia realmente permanecer.
Ao chegar em casa e preparar a janta, uma comida leve e de origem árabe, (sim só cheguei na noite) minha tia abre a porta e sorri pra mim. Eu só tentei. Tinha programado em ver filmes que concorrerão ao OSCAR no próximo domingo com meu querido irmão Wesley de Castro.
Meu amigo Rodrigo ligou de Juiz de Fora cidade mineira que é bem parecida com Aracaju e ao escrever aqui minha perna coça, tenho vontade de ir ao banheiro...
E assim a vida continua........
J.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Um Pescoço, uma dor e o medo: reflexões de dias estranhos.
No filme Taiwanês O RIO, o personagem vivificado pelo ator fetiche do diretor Tsai Ming-Liang Lee Kang-sheng mergulha num rio poluído a fim de protagonizar uma cena em um suposto filme, ao passo que depois da execução do trabalho ocasional, uma estranha dor toma conta de seu pescoço. O filme se desenrola entre as visitas do personagem a uma sauna para homens solitários, a busca desmedida pela cura, um céu que teima em desabar em águas e uma incomunicabilidade desconcertante . A narrativa fílmica revela o mundo caótico de uma civilização destroçada em sua identidade pelos processos de produção que foram forjados ao longo da história e que em sua face mais cruel, além de desintegrar o que é sólido e referencial, passa a fragmentar a subjetividade do indivíduo, diferenciando-o e ao mesmo tempo tornando-o homogêneo e passivo no processo hodierno de subjetivação, o personagem pouco reage aos acontecimentos que lhe arrastam no seu cotidiano amorfo e entediantemente dolorido.
Lembro aqui dessa Obra-prima do cinema atual, porque desde que o ano entrou de porta a dentro que sinto uma anomia solitária em meu cotidiano, um mal-estar solapante do mesmo modo qual o personagem Hsiao-kang é imerso. Nas minhas últimas leituras apreciativas revelava que o cuidado de si é uma arma para resistir a máquina impiedosa da política econômica que nos circunda em dias pré-apocalípticos, quiçá apocalíptico, em que estamos vivendo. Em tal leitura, o autor lembrava que os gregos nutriam uma busca pela verdade interior capaz de construir uma interioridade baseada em uma estética da existência e defende que se já foi possível construir uma existência em que o dizer a verdade era imprescindível para a modulação de uma dada subjetividade, é possível encontrar brechas para produzir uma subjetividade que resista as imposições tecno-biológicas que exercem seu poder sobre os corpos. Mas sinto cada vez mais uma amargura tamanha que hoje amanheci com um dor lancinante em meu pescoço, resta-me produzir suspiro estéticos de existência ainda que virtuais....
e sejam bem-vindos.....
J.
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