segunda-feira, 22 de julho de 2013

COMO ENTENDER O QUE ESTÁ POR VIR...

Depois de um domingo muito tranquilo que passei ao lado de amigos lindos e em especial de Alessandra Santos (nossa anfitriã) que amo de paixão e da qual me identifico muito, e do soberbo filme “Passion” de Brian De Palma no qual uma trama de poder e vigilância se desenrola através de uma narrativa vertiginosa e com todos os belos virtuosismos do diretor, me disponho a fazer pequenas listas semanais e até diárias a fim de contentar meus desejos e também para superar uma fase desorganizada pós mestrado. Impulsionado por trocas de experiências existênciais com meus queridos amigos, pretendo por hora cumprir esses pequenos compromissos e me sentir um pouco melhor comigo mesmo. Boa sorte para meus dias vindouros!


Jadson

domingo, 16 de junho de 2013

O QUE SERÁ QUE ESTÁ ERRADO?


Ultimamente venho sentindo uma tristeza estranha e não sei bem identificar o que seja.  Não é nada melancólico, nem insatisfação... simplesmente não sei....

Há algo de estranho acontecendo, como se as coisas perdessem os sentidos, como se eu não soubesse o que fazer “daqui a pouco”. Como se tudo tivesse desordenado a minha volta, sem saber muito bem o que fazer....  Apenas fazendo coisas imediatas, não consigo manter uma ordem no meu espírito, tudo muito estranho....

Estou lendo algumas coisas, não me sinto inspirado, aliás, estou lendo um monte de coisas ao mesmo tempo e não sei como coordenar as coisas, parece que estou no meio de uma confusão mental impar, preciso de regularidade...

Vi Chaplin, Keaton e Lloyd no Sábado no CECINE, grupo de estudos que participo, foi uma sessão muito prazerosa apesar de minha cabeça dolorida não ter me deixado em paz. Nossa como os dois primeiros são absolutamente geniais, uma criatividade na arte de fazer gags e situações de riso surpreendentes.  RUA DA PAZ E O ESPANTALHO dos dois primeiros respectivamente, e O CALOURO do último, que inicia uma encarnação dos ideais da sociedade americana nas comédias americanas que persiste até hoje, claro que com um frescor e a criatividade de outrora.

Espero recuperar um pouco de minha ordem mental, afinal meio do ano e ainda me sinto começando-o!


Abraços Afetivos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

ACERTOS DE CONTAS

Ontem resolvi arrumar uma enorme bagunça que se alojava aqui em casa a dias. Como sou pouco organizado a bagunça se instaura constantemente aqui em casa, mas agora dividindo o espaço com meu amigo Tiago Oliveira preciso me policiar um pouco mais, o fato é que a companhia dele me faz bem por demais.

No trabalho a greve continua.

E preciso enviar minha dissertação em formato de CD para a UNB, o que vai me custar uma grana pois preciso enviar via sedex, compromisso absolutamente chato. Mas absolutamente necessário.

Ontem na minha viagem de volta a Aracaju depois de passado a noite no interior no qual trabalho pude enfim terminar um livro infanto juvenil que a um tempo bolava em minhas mãos, livro que me fora emprestado por minha irmã que tem doze anos. Segundo ela, o livro chamado de " O Livro Selvagem" de Juan villoro ganharia outro final dependendo de quem lê, na verdade ela não acabou entendendo a mensagem do livro, é uma história fictícia sobre um garoto que passa as férias na casa de um tio ermitão que possui uma biblioteca e nela um "livro selvagem" se esconde. ele é o leitor ideal capaz de encontrá-lo.

O livro fala na verdade sobre o universo da leitura, sobre a entrega e tudo que envolve neste processo, apesar da simplicidade do livro gostei muito do que  li. E na verdade o livro acabou funcionando melhor com minha irmã que se deixou envolver completamente pela estória, pena que perdi minha inocência muito cedo, mas espero que se torne uma grande leitora!


Jadson.

domingo, 2 de junho de 2013

TENTANDO OU COMO SER FIEL A SI MESMO

Sou um estudante de filosofia e como muitos em meu país tive uma infância pobre cheia de conflitos e uma educação precária. Como sempre tive vontade de conhecer além das coisas comuns pude ir além das coisas que me foram dadas. Claro que muitos problemas de ordem psicológicas me afetam comumente o que, de alguma forma, me impede de avançar enquanto ser possuidor de alma e espírito, ao mesmo tempo que estes mesmos problemas me torna um ser singular (ainda que problemático).
Academicamente me sinto ainda numa fase de "menoridade" mesmo que recentemente tenha conquistado o título de mestre, o que não me diz muito, mas paradoxalmente me deixa com um sentimento de "possibilidade". me sinto alíviado ultimamente, ainda sem saber muito o que planejar para os próximos dias, mas tenho um bom trabalho, que me da condições de vida digna, ainda que tenha que trabalhar um pouco mais que o desejado.
Enquanto novos projetos não se delineiam, tento suavizar a vida ao lado de meus ciganos-amigo-irmãos, que faz com que tudo faça sentido ou quase tudo, a minha maior conquista é esse povo doido que me "arrudeia" e me faz bem. a foto faz parte de um ensaio escandaloso que fizemos recentemente e que diz muito do que somos ou muito pouco(rsrsr).

Jadson.

sábado, 25 de agosto de 2012

SOBRE CIGANOS E CINEMA BRASILEIRO



Depois de uma piada levada a sério duas de minhas melhores amigas veem me visitar de supetão, enquanto eu ainda tento me realocar aqui em Goiânia, próximo a passar pela primeira avaliação do meu texto dissertativo e também de voltar em definitivo pra minha cidade quase natal! Em meio a toda essa loucura que deixa a vida mais interessante tento voltar para a organização de algumas atividades como reencaminhar o grupo de estudos sobre filosofia do filme, e minhas leituras obrigatórias para a confecção do resto do meu texto, em meio a isso tudo ainda preciso ver os filmes que me alimentam enquanto ser vivo, pensante que existe e tem fome....

Depois de um bom debate com o intelectual com quem divido a moradia, cheguei à conclusão que tanto eu quanto ele merecia/precisava de mais cinema Brasileiro, de modo que escolhi um filme icônico que não visto por ambos, a fim de exemplificar os nossos argumentos. O ASSALTO AO TREM PAGADOR foi o escolhido e foi além de nossos anseios, de nossos argumentos, foi um soco no estômago, fomos sentindo uma vergonha iminente a cada segundo precioso desse verdadeiro manifesto contra a miséria e o capitalismo, contra as representações de sociedade que poluem nosso imaginário, contra a falsa ideia de um homem brasileiro, contra a falsa ideia que o Brasil não tem cinema.
Sim senhor, o Brasil tem cinema e como têm!
E sejam bem-vindas NINALCIRA E PATRICIA!
Jadson.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

DA ARTE DE SE FAZER UM FILME COM UMA HISTORIA OBVIAMENTE CLICHÊ


Hoje recebi várias mensagens desesperantes de meus amigos mais íntimos.
Hoje eu comi macarrão e o dia, esses dias estão muito densamente tristes.
Hoje eu vi dois filmes.
Hoje não li nada ainda.
Hoje estou esperando um amigo.
Hoje tem que passar, POIS AMO!

J.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O RESULTADO DE UM DIA EM QUE A PORNOGRAFIA E O ENCLAUSURAMENTO SE COINCIDIRAM



Todos que me conhecem, conhecem também minha fobia por pesadelos e sonhos e coisas afins, mas vez ou outra eles aparecem nas noites. E na madrugada passada tive um pesadelo estranho, o qual não lembro por inteiro, mas tentarei resumir aqui:

Estávamos Tiaguinho e eu na casa de meus avôs quando surgiu uma competição estranha, que não lembro o que era e depois estávamos na rua, me parece que no centro de Goiânia, quando roubei alguma coisa de sua mão e ele ficou puto da vida e decidiu fazer um programa com um travesti, decidi segui eles até um motel. Entramos lá e não conseguíamos sair, era uma prisão tinha muita gente lá, inclusive meus amigos Nina Sampaio E Wesley PC, tentávamos de tudo e ainda éramos acuados por monstros o tempo todo! Putz! Acordei muito assustado.

Antes tinha assistido ao filme francês “ 17 fois Cécile Cassard” do excelente diretor Christophe  Honoré que tinha me deixado encantado com a história de uma mulher depressiva que vai paulatinamente encontrando o sorriso, mas quando ela proclama a frase “eu amo tudo em minha vida, inclusive o pior” que me derreto todo. Honoré é impressionante, não é uma autoajuda fajuta, ele é catártico! É clínico! Percebi como sempre tem alguém traumatizado e vai superando e arrastando as auguras necessárias do viver para num momento resinificar a vida.

E hoje o dia passa e preciso sobreviver a ele, mas uma vez!

J.

domingo, 19 de agosto de 2012

UMA SENSIBILIDADE NOVA


Meu corpo envelhece e com isso perde sua antiga forma, os órgãos que já não são os mesmos aponta um amargo que me escapa a boca, uma nova forma surge no exterior e uma nova sensibilidade aflora intimamente, sinto como se o mundo reclamasse uma nova relação com a natureza e consequentemente comigo mesmo, afinal não estou fora do mundo. Urge também uma nova relação com o tu sensível do outro e do totalmente outro, em suma uma nova estetização da vida.

O meu novo-velho corpo me obriga à contenção, devo negar a expansão ilimitada de meu desejo em nome da sobrevivência. É preciso calar e recuperar o meu ser perdido, olhar o futuro imediato com novos olhos. Obedeci em partes a meu desejo por muito tempo, agora é preciso recuperar o corpo, colocá-lo em sintonia com o meu desejo ou com o meu espírito (que paradoxalmente é mais que meu ser) para reencontrar-me.

Devo encontrar um meio para que o meu corpo não apague meu desejo e que meu desejo não apague o meu corpo, pois é tempo do entardecer. É tempo de humildade....

Em meio  ao conflito com meu corpo-espirito-desejo, vejo um filme menor, previsível em suas conclusões dramáticas e conduzido de forma pouco convencional, mais ainda assim bonito, um filme sobre a natureza, sobre o ser jovem, sobre a sensibilidade do ser, razão e coração, sentir o mundo, sentir o corpo e se embriagar do verde das árvores e do frio vento que sopra, deixando que o desejo tome formas.... NO BOSQUE é um filme assim, sobre impressões, sobre o deixar-se perder em meio à beleza extasiante da natureza e por vezes permitir que os corpos humanos se toquem, foi importante recuperar a reflexividade do meu eu mesmo....

Tenho problemas com filmes experimentais, forçosamente experimentais, de modo que não sei se fiz concessões demais com esse filme, mas ao fim acabei gostando muito dele, tinha um frescor juvenil que alegrava meu coração, tinha natureza, tinha desejo, tinha vida!

J.

domingo, 17 de junho de 2012

CINEMA, FILOSOFIA: UMA RETOMADA DO MEU EU IMPERTINENTE



Uma das coisas mais positivas na minha passagem aqui pelo centro-oeste brasileiro, além da minha relação promíscua com as duas maiores universidades dessa região, foi ter me reconciliado com o cinema, calma, digo sobre o estudo acadêmico deste. Na verdade a abordagem do cinema pela fria e distante filosofia, mesmo que ainda com discrição, mas já apontando para algumas formulações que espero que sejam bem-vindas num futuro próximo. Há muito era um projeto vivo em minhas pretensões acadêmicas, essa tal relação sempre muito problemática e mal vista, mais essa pretensão foi adormecendo dando lugar a outras preocupações.
 Mas graças ao grupo de estudos Kinosophia que opera meio que a contra-gosto e sem um programa definido foi tateando as possibilidades de estudo do cinema pela viés filosófico e mostrando que é possível sim fazer uma espécie de filosofia do filme ou filosofia do cinema. Em meio a minha pesquisa totalmente diversa, que tem o foco em filosofia da religião (outra coisa bem mal vista) encontrei tempo, oportunidade e o apoio de uma professora de estética bacana, que além de estudar Walter Benjamin e a teoria do gosto e da percepção, se envereda deliciosamente por essa vertente nova e que cuidadosamente e ou carinhosamente estamos chamando de filosofia do filme, em meio a criação do grupo dos deparamos com algumas teorias filosóficas que tratavam do cinema e por uma (in)feliz coincidência um filósofo alemão, vinculado a teoria crítica da escola de Frankfurt, chamado Josef  Früchtl, ofereceu um curso sobre sua filosofia do filme (presente em seu livro O EU IMPERTINENTE- uma história heroica da modernidade) aqui na Universidade Federal de Goiânia-UFG, na verdade uma interpretação filosófica e cultural sobre a representação no cinema da figura do herói. A princípio pareceu muito estranho, mas com a leitura e a recente confecção de um artigo sobre o tema clareou-se muitas coisas e sobre tudo o método utilizado pelo filosofo da 3° geração da escola de Frankfurt. O tal artigo trata dos pressupostos do filósofo que passeia referencialmente por Hegel e Freud e diversos interpretes da modernidade filosófica e que tem como maior problema a ideia ou o conceito de EU ou do SUJEITO e sua fratura, e de como esse EU tornou-se impertinente, como bem afirmou Adorno em sua Minima Moralia e ainda tendo como base hermenêutica o Western Rastros de Ódio que segundo ele, é a perfeita e multifacetada representação desta: HISTÓRIA HERÓICA DA MODERNIDADE.



Bem o artigo será publicado em breve numa revista eletrônica chamada Inquietude, vinculada ao curso de graduação em filosofia da UFG.

E Eu retorno em breve a minha terra, a meu pequeno, querido e frutífero Aracaju, mas ainda não terminei minha aventura por essas terras, a muito a desbravar como um errante em busca deste interior fraturado....

J.

sábado, 26 de maio de 2012

EM CRISE parte 200000

Querido diário
Estou em crise (como se fosse novidade), mas essa é estranha, ao mesmo tempo em que estou combatendo a letargia comum ao meu espírito, me saboto continuamente por outras vias, o que supõe o abandono de certos projetos como esse. Acabei de queimar o céu da boca num ato de desespero, tomei leite e achocolatado mais quente que o suportava e isso pode ser um sintoma ou um aviso.
Comecei a ler um livro que já de início se mostrou avassalador tanto em sua construção narrativa, quanto em sua abordagem história e intimista da vida de um escravo negro.
LIVRO: A FAMÍLIA GLORIOSA  - NOS TEMPOS DOS FLAMENGOS, escrito com maestria por Perpentela.
Amanhã seguirei viagem à Brasília, passarei  4 dias por lá....
Na Terça apresentarei comunicação em um charmoso congresso sobre “ religião, arte e filosofia nos séculos XIX e XX” , ansioso portanto!
E parece que minha estadia por Goiânia/Brasília está chegando ao fim.....
Voltar pra casa é bom mais uma sensação estranha me apodera, mas ainda é cedo!
Preparo-me para ver um filme agora....


terça-feira, 8 de maio de 2012

E eu confesso mais uma vez!



Confissão II: filmes que falam de triângulos amorosos comovem meu espirito.

Acho que estes tipos de filmes que tematizam o relacionamento entre três pessoas ao mesmo tempo revela algo do meu inconsciente, nunca pensei a respeito, mas acho que me parece o tipo ideal de romance que eu devo inconscientemente idealizar, assisti nos últimos tempos vários filmes nesta linha e sempre me emociono de uma maneira estranha, mesmo naqueles esteticamente menos apreciáveis, sinto algo realmente bom e comovente de modo que acabam nevoando meu olhar não podendo avalia-los mias objetivamente.

Confissão III: Douglas Sirk me arrasa emotivamente

Venho sofrendo ultimamente uma crise de carência afetiva violenta e como se isso não bastasse me aventuro a ver filmes prenhes de romances mal  acabados e não satisfeito resolvi ver mais um Douglas Sirk “Desejo Atroz”(1953) sobre um atriz mal-sucedida que resolve voltar a sua cidade natal depois de ter abandonado por anos seu três filhos e marido afim de não machuca-los devido a um romance extra-conjugal numa cidade pequena e conservadora.  

Como não poderia deixar de ser o filme sirkiano é hiperbolicamente dramático e soberbamente dirigido, é apaixonante e desestruturou a mim, contudo é um filme menor pois é muito rápido em suas conclusões, mais ainda assim, derrama paixão por todos os lados, meus olhos encheram de lágrimas em alguns momentos e meu coração disparou: é um filme sobre coragem, sobre a coragem que é preciso ter quando se quer amar.

E eu sou daqueles que AMA!

J.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

QUERIDO DIÁRIO: eu confesso!


Eu, Jadson Teles Silva, declaro publicamente que estou em uma profunda crise.
Desde domingo que não consigo obter concentração para as leituras necessárias para a confecção da primeira seção do segundo capítulo de minha dissertação sobre “O amor cristão como fundamento ético-religioso em Kierkegaard”.

Desde domingo uma apatia toma meu corpo minha alma e o que mais restar. Estou lutando, mas o enfrentamento parece ser algo muito interno numa zona de inconsciência, razões emocionais que não consigo enxergar parecem amarrar meu raciocínio.

Ao menos, estou conseguindo ver filmes, o que já é um grande consolo, me pergunto por que deste bloqueio? e não acho uma resposta saudável se quer, vou lavar roupa e pratos, quem sabe algo não desperta....

Estou cansando......

Irritei-me com uma moradora aqui da republica, o bom diálogo se faz necessário quando se pretende conviver em grupo. Relato: Ela sem comunicar ou mesmo sem pedir licença para mim e para o outro morador hospedou um senhor de mais de 70 anos aqui pra república, ou seja, causou um estranhamento em relação ao espaço e a dinâmica da casa. Não me importo se hospedem mil aqui, mas venho percebendo atitudes arbitrárias aqui na casa e ela não conhece minha fama, se o ódio me tomar... Aí de ti! 

Acabo de receber uma mensagem carinhosa de um amigo emocionado e isso vai me fazer bem no enfrentamento com o dia em curso! 

Muitíssimo OBRIGADO!

J.

terça-feira, 1 de maio de 2012

UM FILME, UM PESADELO: um dia.




Hoje não foi um bom dia. Ontem tive um pesadelo, minha mãe me mostrava o braço cheio de ferida e depois teve que decepá-lo, teve mais coisa que não lembro. Acordo agoniado e assim permaneci pelo dia todo e pra além de uma crise de rinite alérgica que me tom desde a semana passada, sobrevivo....
 Preciso voltar as minhas atividades hodiernas antes que uma crise de impotência me sufoque.
Ontem vi um filme que me lançou de volta a minha infância em Itaporanga, que não é uma região sertaneja é fato, mas como nasci em um povoado desse munícipio sergipano, muito pobre e afastado do centro da cidade onde o clima de isolamento se faz a todo instante, não tive como não me emocionar diante do que se desenrolava na tela. Pensei que iria odiar esse filme: MUTUM é um retrato impressionante de muitos lugares no país e de muitos como eu!

O filme é de uma rara beleza, não apenas pela deslumbrante fotografia, mas por retratar um isolamento que condiciona ao sofrimento e a construção de subjetividades igualmente distantes, vazias e secas ao mesmo tempo em que o inverso é possível e no contrates combativos destas duas forças que o filme genialmente se dilata no tempo de sua narrativa.

Baseado em um conto do livro “Campo Geral” de João Guimarães Rosa, que narra a estória de uma família que mora isolada no sertão de Minas Gerais sob o olhar de Tiago uma criança que é acusada pelo pai de “se achar melhor que os outros” e ignorado pela avó ao mesmo tempo em que recebe afetuosos carinhos da mãe e do tio e a cumplicidade do irmão. O filme se desenrola mantendo certo distanciamento para não gerar um suposto sentimento de piedade no espectador, nada é excessivo. O corte é preciso.  Ao mesmo tempo em que a câmera é próxima do corpo, da pele dos personagens.
E o dia continua assim distante, seco....


quinta-feira, 26 de abril de 2012

A INSÔNIA E O FILME DE SOKUROV - EXISTE CURA PARA TODO MAL?


Aleksandr Sokurov, assim se chama o responsável pela minha insônia de hoje, acordei no meio da madrugada e não voltei a dormir, em meio a vários pensamentos desconexos e ou antecipatórios de situações/projeções futuras, o filme PAI E FILHO (2003) se tornava quase onipresente. Eu vi o filme na tarde anterior a essa madrugada insone. Confesso que o entendimento do filme ficou longe de uma satisfação plena, mas ele pareceu sinestésico para mim, com todo o clima onírico e desejoso que a relação entre um jovem pai e um filho já iniciando a idade adulta poderia passar- isso em uma situação (semi)ideal. Além de ser magnificamente interpretado e dirigido com uma pegada teatral e sob uma rígida e sentimental trilha sonora, o filme parecia entrar no passado e estar sempre num embate em que, salvo uma situação, a autoridade paterna não era o alvo crítico nem muito menos levada em conta  na dramatização da narrativa. Tentei ler o filme como uma representação subjetiva de um ideal romântico na busca interior pela aceitação daquilo que você projeta como um desejo irreconciliável com aquilo que você quer e aquilo que você pode ser/ter.  



Contudo, PAI E FILHO é um filme russo e não por acaso os dois personagens são militares, de modo que não podemos perder de vista contexto cultural e histórico ao qual ele foi criado. Pode ser que entender os dois personagens como metáforas ou mesmo como uma alegoria de uma nação que passou/passa  por uma situação político-econômica extremada possa soar forçado, mas bem que poderíamos ensaiar. O pai poderia ser a representação da antiga união soviética robusta e iluminada como um forte sol em meio à neve, mas que se mostra incapaz. O personagem paterno sofre não só por ciúme inconfesso de seu filho manter relações que vão além dele mesmo, como também por um ferimento agudo no pulmão, sua caixa torácica, ou seja, sua fragilidade é o tempo todo escancarada pelo filho, essa nova Rússia, não mais socialista, mas que revela ser o desejo inconfesso de uma antiga nação que chafurdou numa tentativa inglória de estabelecimento de uma nova ordem socioeconômica. Tal filho mantêm relações de poder com o pai e sobre aqueles com que se relaciona, sempre se colocando no centro por onde tais relações se estabelecem. No inicio o filho está no colo do pai e este afirmando que o salvou logo depois o filho está sozinho em um caminho, sim a nova nação seguirá por um novo caminho, a antiga ficará no passado como uma sombra fria que poderia ser e que não foi, e o máximo que poderia ter feito foi parir essa nova Rússia, foi salvar esse filho que herdará apenas as armas de um exército sangrento.





Mas pode ser que nada disso seja, e eu não sei como será o meu dia depois de só 4 horas dormidas...

J .

domingo, 22 de abril de 2012

Subjetivação e práticas de si: é possível se tornar uma pessoa melhor?


Acordei na madrugada assustado com um sonho do qual não me lembro, pior que sonhar é não lembrar o sonho. Bem, cansado não conseguia voltar a dormir, levantei dei uma mijadinha e fui fazer uma limpeza no meu computador, depois de botar alguns filmes do Brian Depalma pra baixar voltei a dormir.....  Acordei quase nove, levantei de mal humor. Joyce viajou e Aelton foi fazer um bico, digo, ser fiscal numa prova de um concurso local. Fiquei quieto no meu quarto lendo as densas linhas da tese adorniana sobre Kierkegaard. Aqui Adorno faz uma severa crítica ao sujeito e a filosofia burguesa-cristã de Kierkegaard. KIERKEGARD – A COSTRUÇÃO DO ESTÉTICO é daqueles livros implacáveis do filósofo da escola de Frankfurt, mas como sempre percebo um tom arbitrário em muitas de suas afirmações, todo caso acho que ele não entendeu ao que Kierkegaard se opunha e como ele fazia isso  (só lembrando que um dos primeiros textos de Adorno ele ainda jovem) Gosto de algumas de suas formulações críticas, mas é inegável que Kierkegaard se afastava da política por que não via saída pro homem por esse viés -é preciso realmente construir um privacidade subjetiva filosófica e religiosa, em outras palavras, construir um ética-estética da existência. O dado livro está me ajudando a projetar um futuro texto sobre a relação Kierkegaard- Nietzsche- Foucault que estou em mente, por mais que o livro seja muito difícil e duro de escavar seus conceitos, tenho certeza que ao final ele me será muito útil.
E falando de ética, estética e existência, me submeti a uma maratona de filmes “bixas” produzidos no ano de 2011 no dia de ontem e comecei pelo filme nacional e adolescente “ OS 3”  de Nando Olival que não é bem bixa, mas estava valendo como  um processo de descobertas amorosas e sexuais,  no qual 3 jovens universitários dividem um apartamento e desenvolvem uma afetividade mútua e seguido pelo  igualmente adolescente, mas de uma simplicidade estonteante e porque não apaixonante  filme belga NOORDZEE, TEXAS de Bavo Defurne sobre a construção do fetiche sexual e dependente deum adolescente, passando pelo quase ruim filme argentino do Marco Berger AUSENTE, sobre outro adolescente que tenta seduzi seu professor com táticas heterodoxas e por fim o maduro e discursivamente complexo J. EDGAR  de Clint Eastwood sobre o criador do FBI e seu relacionamento casto com o numero 2 da instituição por mais de 30 anos. (foto é o casal real) E ao final o que eu queria com isso? me tornar uma pessoa melhor? Ainda não sei mais foi me dado vários contra-exemplos!

J.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

E por acaso já fim de semana...

"Bem, sabe como é quando você dorme pela primeira vez com alguém que não conhece?

 -Sim.

 É... tipo, você torna-se uma tela em branco e isso te dá uma oportunidade de projetar nessa tela quem você quer ser.E é isso que é interessante, porque todo mundo faz isso.

 - Então, você acha que eu o fiz?

 - Claro que fez.
 Bem, o que acontece é,enquanto você projeta quem quer ser, abre-se uma fenda entre quem você quer ser e quem você realmente é, e nessa fenda, você vê o que lhe impede de se tornar quem você quer ser."

 e eu não conseguia mais respirar direito, me via completamente desnudado....

 J.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

De volta à rotina sagrada.


Depois de alguns dias em off devido a uma viagem a minha cidade natal, volto ao meu atual cotidiano. A chegada é sempre difícil. Reorganizar a rotina e por as leituras em dia.

Foram dias iluminados que passei em Aracaju, mesmo que frustrado com um péssimo desempenho no concurso em que participei, esse me deu uma excelente oportunidade nostálgica. Fui tomado por um intenso prazer em rever os amigos da graduação em voltar à boemia outrora tão vivaz em meu coração, mas adormecida nesses dias insones, conversas nostálgicas e tantas outras que foram suficientes para superar o mal-estar e a baixa-estima advinda da situação incômoda.

Para além dessa experiência nostálgica, está de novo e de novo com meus eternos amigos-irmãos sempre é de um gozo carnal-espiritual inconteste, Wesley de Castro, Nina Sampaio, Tiago Oliveira, Wesley Soares, Roberta Fideles, Rafael Alcântara, Vanessa Lacerda, Carlos augusto, Aelton Leonardo e ainda Alessandra, está com vocês é algo incomensurável, inexplicável, cada um com seu dilema, com sua singularidade egocêntrica, cada um sofrendo e sorrindo daquele jeito único que nos faz uma família heterogeneamente homogênea da pesada! Amo vocês de todo coração, alma, corpo, sangue e vida.

Ainda passei o feriado santo com minha família oficial da qual gosto muito. Repito: gosto muito! Mesmo que isso tenha sido pelo esforço do contingente fato de eu ter nascido em meio a estas pessoas das quais sou tão diferente.

E para recomeçar meu cotidiano hoje volto a publicar em meu querido diário virtual, escuto o disco de 1972 de Rita Lee - HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE TUA VIDA, ótimo álbum ainda influenciado pelo som desconstrutivo dos MUTANTES, se não me engano foi produzido pelo Arnaldo Batista. Com uma mistura de ritmos alucinantes e letras psicodélicas tão marcantes da antiga fase da cantora e já ensaiando em algumas faixas de sua nova fase. Preparo-me para ver o filme do dia enquanto meus companheiros de república tentam instalar um nono roteador para nossa internet, a tarde irei a biblioteca pesquisar e a noite vou dar uma caminhada para sair da sedentarismo e no fim da noite voltar a leitura de CAROL de Patricia Highsmith e assim a vida continua...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Gênio ou apóstolo?


Foi durante o romantismo que o conceito de gênio foi fortemente ligado a uma obra de exceção perpetrada pela natureza. O gênio era um homem que, de forma excepcional, estava acima das potencialidades do homem comum. Influenciado pelo romantismo alemão o filósofo Søren Kierkegaard fez uma distinção entre o apóstolo e o gênio, afirmava que o apóstolo é um caso incrivelmente mais raro que um gênio, já que ser um apóstolo é ir contra a natureza, contra os desejos e vontades intrínsecas a espécie humana e isso é um movimento que se dá no absoluto da subjetividade e muito mais difícil do que a natureza prover um gênio. Digo isso porque quando acabei de ver a pérola cinemática “Um Método Perigoso” tinha certeza que o diretor David Cronenberg era uma espécie de apóstolo do cinema!

J.

domingo, 25 de março de 2012

E NÃO SOBROU NADA NO FIM?


Enfim terminei de ler um livro que estava a mais de uma semana, acho que uns 15 dias, tentando me livrar. Livro que foi muito elogiado por um amigo meu, mas que se mostrou desde o inicio brando, confortável e desmotivante. Particularmente achava que o meu amigo não iria gostar desse tipo de leitura, mas nem sempre é assim, às vezes as coisas nos afeta de modos diversos, mesmo na apreciação estética de um produto artístico que em determinados casos precisa de certa objetividade, mas como venho lendo em um texto filosófico contemporâneo o EU é algo realmente impertinente, neste caso especifico do meu querido amigo é a experiência absolutamente subjetiva que avalia e encontra resposta objetivas para justificar as opções do gosto. O que nos leva a questão da identificação, mas o fato de você se identificar subjetivamente com algo não torna esse algo bom, o que acontece é que esse algo lhe torna afetivo, por uma relação análoga com uma ou algumas memórias e ou recordações afetivas.

UM DIA é O livro em questão e tem uma narrativa fácil e limpa, desejável, sim desejável para quem tem a tarde livre ou teve um dia cansado e ao lado de uma pipoquinha melhor ainda. Ele camufla os personagens que são críveis em determinadas situações, mas essas situações são mostradas acabadas, assépticas, sem rupturas e o pior é que tem essa pretensão de atingir uma ruptura, ao menos no conteúdo e mostrar uma realidade não comum a esse tipo de texto, mas isso é falsoE ele não tira a roupa dos personagens, não deixa que eles fiquem nus, expostos, tem sempre um colchão em baixo para apará-los na queda, ele no máximo deixa a mocinha sem luvas e mocinho de cueca, ele não deixa que eles se fodam e mostra uma historieta de encontros e desencontros como uma menina iludida depois do beijo inventado num sonho. Até que ele almeja um tom mais vivaz nas cem últimas páginas de suas 400 laudas, é uma espécie de último suspiro antes que acabe. Mas é um rápido e fugaz suspiro....

Essa semana que vem quero estrear outro livro, algo mais sério com certeza, talvez um livro brasileiro ou um clássico.

J.